Raio x à profissão

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Inquérito / sondagem à profissão

Os resultados do último inquérito à classe efetuado a pedido da OA demonstram resultados que já se suspeitavam e que indicam uma fragmentação generalizada das empresas de arquitetura bem como dos prestadores de serviços de arquitetura em nome individual. A micro empresa, tanto em Portugal como no resto da Europa comunitária, já é dominante, em cerca de 95% do total dos gabinetes de arquitetura e existe uma tendência para que este número seja consolidado. Paralelamente, o arquiteto(a) europeu reconhece que o seu papel já não se pode limitar a uma prestação de serviços de projeto apenas, mas é hoje mais abrangente a áreas da gestão e direção da obra, consultorias específicas na área da segurança, térmica, acústica, ambiente, ordenamento do território, bem como no alargamento da sua intervenção ao nível do ciclo de vida das edificações, nomeadamente no ciclo pós-obra. Este reconhecimento é uma mais valia de futuro, para quem, como nós arquitetos(as), encara com preocupação os contornos de uma crise generalizada em Portugal e na Europa. De fato, a crescente pressão colocada ao nível da Comissão Europeia para a liberalização dos mercados, que tem afetado a prestação de serviços onde se incluem os de arquitetura, implica da parte dos(as) arquitetos(as) europeus e também dos portugueses uma resposta vibrante e pró-ativa face à possível desregulação do mercado nacional através das propostas de lei que revogarão a breve trecho a Lei 31/2009.

Assim sendo e tomando os considerandos acima referidos bem como os dados saídos e tornados públicos do Inquérito à classe dos(as) arquitetos(as) portugueses, a OA assume-se como uma entidade que, com os seus membros, se propõe mudar o paradigma de abrangência das responsabilidades do(a) arquiteto(a) face à sociedade (portuguesa e europeia). A questão da formação do arquiteto(a), enquanto uma formação holística não é colocada em causa, mas a sua passível complementaridade com uma formação profissional contínua e especializada parece ser uma realidade à qual não poderemos deixar de dar uma resposta eficaz. A revisão dos atos da profissão, associados aos serviços que o(a) arquiteto(a) deverá prestar, coloca a questão se os Colégios da OA deverão ou não ser profissionais.

O futuro passa por nós hoje, na redefinição que faremos, não da profissão, mas dos deveres e direitos (responsabilidades) a que nos obrigaremos perante a sociedade civil.

Pedro Belo Ravara