Tema 3 Internacionalização

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Arq. Paula Santos (presidente da mesa)
Arq. Susana Machado (secretário)
Arq. Ana Silva Dias (relator)
Drª Ana Paula Laborinho (presidente do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, IP)
Arq. João Perloiro
Arq. Lígia Nunes (presidente da Associação Arquitectos Sem Fronteiras)
Dr. Pedro Pessoa e Costa (administrador executivo da AICEP)
Arq. Carlos Castanheira
Arq. Manuel Roque
Arq. Fernando Bagulho (comunicação)

Internacionalizar, v. tr. tornar internacional; espalhar por várias nações. Dicionário da língua portuguesa 6ª edição , PORTO EDITORA

Num tempo que já passou, o futuro da arquitectura passava por superar a escassez de arquitectos, o desconhecimento generalizado do papel do arquitecto por parte da sociedade e a sua necessidade.
A escassez de arquitectos foi superada num ápice, numa década e meia de formação, por inúmeras escolas de arquitectura. Progressivamente, sobretudo pela extraordinária qualidade dos nossos arquitectos e de algumas escolas de arquitectura, que viram o seu trabalho reconhecido internacionalmente, a Arquitectura Portuguesa é publicada, divulgada, premiada, e reconhecida como importante actividade profissional qualificada.

No tempo que é o nosso, não há dúvida que a Arquitectura Portuguesa atingiu um nível de reconhecimento nacional, internacional e uma visibilidade pública nunca antes alcançada. No entanto e paradoxalmente o acesso à encomenda é cada vez mais difícil, mais desregulada, e cada vez mais escassa, senão quase inexistente.

O futuro da arquitectura discute-se agora no 13º Congresso e, nesse futuro, que se pretende mais fértil que o presente, o tema da “internacionalização” da Arquitectura Portuguesa será debatido, não por ser a solução para todos os problemas, mas como um caminho necessário, quase inevitável para a sobrevivência da classe, devendo ser discutido, neste contexto, o papel dos instrumentos governamentais e das políticas públicas nacionais de exportação da arquitectura.
Importa desde logo discutir a diferença entre “internacionalizar” e emigrar. Entre “internacionalizar” e exportar. E “internacionalizar” é o quê? Como se faz? O que é afinal a Arquitectura Portuguesa enquanto produto exportável, ou, como se promove a “internacionalização” tendo por base tal conceito?
Da necessidade de reabilitação na envelhecida Europa ao desenvolvimento Asiático, Africano e Sul-Americano, tendo em conta o acentuado crescimento da população mundial, passando pelos países de Língua Oficial Portuguesa, a avaliação dos mercados e da nossa capacidade e possibilidades de adequação aos mesmos é uma questão central.
Num mundo verdadeiramente global, em que eficácia é o resultado esperado, teremos que adaptar as nossas estruturas no sentido de as tornar atractivas e competitivas? Que estratégias devem ser concertadas? E que políticas devem ser implementadas para podermos cumprir o desígnio da exportação do nosso know how?

No futuro, hoje: como passamos da ideia de que a arquitectura portuguesa é boa e recomenda-se, ao contrato de trabalho, à prestação de serviços? À rentabilização económica da actividade? O que pode e deve a Ordem dos Arquitectos fazer para promover o cumprimento deste objectivo? Como devem as entidades governamentais e a Ordem dos Arquitectos concertar políticas e promover uma verdadeira política pública de arquitectura “internacionalizando-a”?

Vicente Gião Roque
Paula Santos

 

Internacionalização
Fernando Bagulho

Como se pode internacionalizar algo que é, em si mesmo, universal?
O poeta Pessoa será o mais internacional dos poetas de língua portuguesa e muitos daqueles que o lêem, traduzido para a sua própria língua, consideram tão forte e tão universal a sua poesia que, alguns, vão aprender português para melhor a assimilar. Se a poesia é tão forte quando transposta para qualquer outra língua, então, como será na língua original em que foi escrita? Não temos qualquer dúvida de que o Álvaro Siza é, na actualidade, o arquitecto português mais internacional, mas ninguém terá que estudar a língua portuguesa, nem mesmo arquitectura, para se emocionar com as suas obras construídas, pois é a isso que elas apelam, á emoção dos sentidos.

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